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Evento a favor da diversidade e tolerância gera polêmica em Vinhedo

Na noite da última segunda, 10 de Fevereiro, o vereador Edson PC (PDT) retirou da pauta de votação da Câmara Legislativa de Vinhedo o Projeto de Lei nº 60 de 2019 que instituía no Calendário Oficial do Município a Parada do Orgulho LGBT de Vinhedo.

Munícipes discutem durante sessão – Foto: Thiago Tonus

A retirada do projeto foi realizada após polêmica criada nas redes sociais de que a inclusão do evento no calendário oficial geraria gastos para os cofres públicos. Segundo o vereador Valdir Barreto (PSOL) a cidade possui no seu Calendário Oficial de Eventos mais de 100 datas comemorativas institucionalizadas e ,segundo o vereador, se cada uma delas aumentasse os gastos da cidade substancialmente a Casa Legislativa não poderia continuar aprovando datas sem critérios ou limites. O Vereador ainda apontou que a pauta é válida para a discussão sobre diversidade e tolerância, e que tem suas bases também na religiosidade. O vereador fez questão de citar trechos da bíblia como Tiago 2:8-9; João 13:34; Pedro 2:17 e Mateus 25:40.

A voz que ecoou no lado oposto da discussão foi a do Vereador Rubens Nunes (MDB) que afirmou diversas vezes que “Vinhedo não precisa e não merece” ter no calendário oficial da cidade um evento como esse que vai “contra os valores da família vinhedense”. Importante notar que nesse momento, o presidente da câmara vereador Edu Gelmi (MDB), a vereadora Flavia Bittar (PDT) e o vereador Edson PC (PDT) já não estavam mais presentes. Sobrou então para o vereador Carlos Florentino (PV) tentar controlar o bate-boca na plateia. A Sessão foi suspensa por 15 minutos até que os ânimos se acalmassem.

Na volta, apesar de outros temas também importantes estarem na pauta tudo foi ofuscado pela polêmica. A discussão que começou travestida de pragmatismo orçamentário ganhou reais contornos de embate ideológico e religioso. A Reprovação das Contas de 2016 da gestão do Prefeito Jaime Cruz (PSDB), o fechamento da Vara do Posto Avançado do Tribunal Regional do Trabalho e a denúncia ao Ministério Público de irregularidades no serviço de digitalização prestado por empresa à prefeitura ficaram sem espaço.

Saiba um pouco mais sobre a história da Parada LGBT no Mundo

Na madrugada de 28 de junho de 1969, após uma batida policial, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais frequentadores de um bar chamado Stonewall Inn, em Nova York, nos Estados Unidos, resolveram dar um basta às agressões, preconceitos, humilhações e perseguições.

Por dias, o grupo resistiu e enfrentou a polícia local. A tensão tomou então proporções mais violentas e ganhou o apoio da comunidade que, mesmo após o fim do episódio no bar, foi às ruas protestar e exigir igualdade de direitos. O movimento foi fundamental para fortalecer a luta LGBT+ no país e acabou influenciando também outros lugares no mundo.

Curiosidades

·        1970 foi o ano da 1ª Parada do Orgulho LGBT+ do mundo. Ela aconteceu nos Estados Unidos.

·        No Brasil, a 1ª Parada do Orgulho LGBT+ aconteceu em 1997.

  • Símbolo LGBT+, a bandeira arco-íris foi criada em 1978 por Gilbert Baker, para o Dia de Liberdade Gay nos EUA. Originalmente tinha oito cores, cada uma com um significado.

São Paulo, São Francisco (que faz parte do Vale do Silício), Toronto, Madrid, Amsterdam e Tel Aviv (Israel) são as maiores paradas LGBT+ do mundo, todas em cidades bem desenvolvidas e economicamente dinâmicas.

O Projeto tirado da ordem do dia hoje pode ainda voltar para pauta de votação da Câmara se algum outro Vereador incluí-lo na discussão. Resta saber quem fará isso em ano eleitoral.

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